FRASE DA SEMANA: [Quote of the Week:]
"Liturgias, antigas ou modernas, escritas ou não, são uma ferramenta humana para manter as engrenagens religiosas rodando, reproduzindo o costumeiro, ao invés de exercitar a fé na presença imediata e operação do Espírito."
Arthur Willis

A Igreja Peregrina - O Remanescente Cristão - Parte 01





O título "A Igreja Peregrina" vem do livro, escrito em inglês por Edmund Hammer Broadbetn (1861-1945), publicado em 1931, depois de muitos anos de pesquisa. É uma história de igrejas e irmãos que, através dos séculos, têm procurado seguir o padrão neo-testamentário para a igreja. Na elaboração deste trabalho temos adotado o referido livro como a principal fonte de informação, mas temos recorrido também a muitas outras fontes de referências, as quais serão indicadas na bibliografia que aparecerá no fim da série.





I. COMO ERAM AS IGREJAS APOSTÓLICAS?
 Damos a seguir, um resumo de algumas das principais crenças e práticas que caracterizavam as referidas igrejas:

1. REUNIAM-SE UNICAMENTE AO NOME DE CRISTO.

2. EXERCIAM AUTONOMIA ADMINISTRATIVA, com laços calorosos de amor fraternal entre as igrejas.
 3. ERAM GOVERNADAS POR ANCIÃOS (presbíteros), também chamados BISPOS (superintendentes), sempre na pluralidade.
 4. ERAM ENSINADAS POR MESTRES que de Deus tinham recebido este dom e eram levantados pelo Espírito Santo dentro destas mesmas igrejas. Recebiam ajuda de irmãos visitantes que possuíam este mesmo dom.
 5. CELEBRAVAM A CEIA DO SENHOR TODOS OS PRIMEIROS DIAS DA SEMANA. Era uma simples refeição de pão e vinho, que simbolizavam o corpo do Senhor Jesus Cristo e o Seu sangue derramado. O domingo era também o dia quando as igrejas levantavam as ofertas (recolhidas apenas dos crentes!) para a obra do Senhor.
 6. BATIZAVAM OS CRENTES VERDADEIROS, não bebês, nem gente em massa, sem compreensão do Evangelho verdadeiro.
 7. PREGAVAM O EVANGELHO PURO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ, baseada unicamente na morte expiatória do Senhor Jesus.


II. O DECLÍNIO E ABANDONO DO PADRÃO NEO-TESTAMENTÁRIO
 Aconteceu tão cedo! Não devemos, porém, surpreender-nos com estes fatos, pois no próprio Novo Testamento já vemos o indício de que isso iria acontecer.

1. INTRODUÇÃO DA DISTINÇÃO ENTRE "CLÉRIGO" E "LEIGO"
 É interessante notar que nas cartas de Clemente aos Coríntios (c.96 d.C.) e no livrinho chamado Didaquê (começo do século II) ainda são mencionados somente bispos e diáconos (no plural), com em Filipenses 1:1. Já havia, porém, a tendência antibíblica de fazer nítida distinção entre os bispos (anciãos) e os demais crentes. Os bispos eram chamados "clerigos" (os que receberam ordens sacras), enquanto os demais crentes eram chamados "leigos" (do povo). Uma triste distinção que continua na maioria das "igrejas" até hoje.

2. DISTINÇÃO FEITA ENTRE O "BISPO" E "OS PRESBÍTEROS" SENDO DADA AO BISPO A PREEMINÊNCIA NA IGREJA
 Traçamos este declínio através das cartas de Inácio de Antioquia, um conhecido do apóstolo João. Ele foi condenado à morte pelo imperador Trajano, no ano 110 d.C.. A sentença foi cumprida em Roma e durante a viagem para lá Inácio escreveu várias cartas para as igrejas que visitara no caminho. Em todas elas ele exalta o bispo da igreja e exorta à obediência total ao mesmo. Um exemplo disto temos na carta por ele enviada à igreja de Filadélfia: "Tende cuidado, portanto, em observar a eucaristia...há um altar, como há um só bispo, juntamente com os presbíteros e diáconos". Deve ser dito que Inácio era um irmão fiel que enfrentou a morte pelas feras em Roma com coragem exemplar. É uma ilustração de como irmãos bons e fiéis, apesar de sua sinceridade, estão sujeitos a ensinar coisas erradas!

3. ORGANIZAÇÃO DAS IGREJAS FORA DO NÍVEL LOCAL
 Do século III em diante os bispos das igrejas das cidades maiores reivindicaram autoridade sobre os bispos das igrejas menores. Pela "lógica", o bispo de Roma (a capital do Império) tomou a precedência, assim formando a base para o sistema papal que vigora até hoje.A interferência nos assuntos internos de outra igreja local, por mais bem intencionada que seja, por parte dos anciãos duma igreja local vizinha ou por parte de obreiros, nunca traz resultados espiritualmente positivos, pois viola os direitos dAquele que ainda "anda o meio dos...candeeiros de ouro (Ap 2:1).

4. OUTROS DESVIOS DA VERDADE
 a) A reverência aos mártires, da qual resultou a criação dos "santos" (século II em diante).
 b) O batismo de bebês, introduzido nos séculos II e III, tornou-se geral nos séculos IV e V.
 c) Deturpação do Evangelho. Os filhos dos crentes, por causa dos pais, receberam o privilégio especial de serem também considerados membros da "igreja". A pregação da salvação pelas obras, tão combatida por Paulo nas cartas aos Romanos e aos Gálatas, tornou-se comum.

5. O DESASTRE MAIOR - A FUSÃO DA IGREJA COM O ESTADO
 Esta fusão aconteceu como resultado da suposta conversão do Imperador Constantino, o Grande (273-334 d.C.). Na noite anterior a uma batalha decisiva na Ponte Múlvia (27 de outubro de 312 d.C.), quando Constantino derrotou Maxêncio e tornou-se imperador com poderes absolutos, ele disse ter visto uma cruz no céu com os dizeres: "Com este sinal vencerás". Ele ganhou a batalha e tornou-se cristão nominal. Esta "conversão" parece ter sido uma ato de astúcia política devido à existência de grande número de cristãos e à influência por eles exercida.
 Gene Edwards diz que "Constantino deve ser considerado o primeiro cristão medieval - 90% cristão de nome e 90% pagão em pensamento". Visto que era Imperador e mandava em tudo, logicamente quis mandar na igreja. Como resultado o erro entrou na igreja como uma enxurrada. Dr. Arthur Rendleshort escreveu: "Quando o poder do paganismo foi, por fim, derrubado e a perseguição cedeu lugar à prosperidade, os males vieram com numa torrente. A igreja exterior e visível fez toda sorte de concessão a fim de cativar o povo. Passou a adotar festas pagãs e deuses pagãos, dando-lhes nomes cristãos. A estátua de Pedro em Roma originalmente era de Júpiter! Uma Vênus ou uma Minerva facilmente transformaram-se na Virgem Maria. O que faltava em realidade espiritual no culto tentava-se suprir com música, cerimonialismo e ostentação.
 Não precisamos prosseguir fazendo menção da história miserável de como uma sucessão de papas, às vezes assassinos, adúlteros e amantes do dinheiro, reivindicou infalibilidade papal, tirou a Bíblia das mãos do povo e fez da conformidade a uma "igreja que adorava imagens a suprema prova da salvação de uma pessoa" (Revista Amados nº 2 - Junho de 1986 pag.9).

6. O ENSINO DE AGOSTINHO
 Agostinho (334-430 d.C.), bispo de Hipo, na África do Norte, foi um cristão genuinamente convertido e, sem dúvida, foi um gigante espiritual em muitos sentidos, mas infelizmente deixou também muito ensino errado. Entre outras coisas, insistia obstinadamente em ensinar que não há salvação fora da Igreja Católica Romana.
 Outro ensino dele que veio a causar o derramamento de rios de sangue de membros da verdadeira igreja foi o suposto direito do poder civil, de exigir a aceitação obrigatória do ensino da igreja, punido até à morte, se necessário fosse, aos que não aceitassem. Baseou este ensino perverso na parábola da grande ceia, em Lc 14:15-24, onde o mestre da casa, depois de ter recebido tantas recusas ao convite para a sua festa, e ainda havendo lugar, mesmo depois de receber muitos pobres e enfermos a quem mandara convidar, ordenou ao seu servo: "Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar". Isto demonstra claramente o grande perigo de basear qualquer ensino em versículos fora de contexto.
 Por fazer isso, Agostinho, que pela sua estatura moral era credor da confiança de muitos, levou-os, apoiados por aquele ensino, a praticarem o mal contra o povo do Senhor.


III. TRÊS CORRENTES NA HISTÓRIA DA IGREJA

1. CATOLICISMO ROMANO em seus vários ramos: Romano, Ortodoxo, etc, de 312d.C. até hoje.
  Entre esses sobressaem-se alguns nomes bem conhecidos, como Agostinho, Tomás de Aquino, Inácio Loyola, Savonarola e muitos papas.
 Damos graças a Deus porque alguns, mesmo no meio de tamanho erro, amaram realmente o Senhor Jesus e confiaram somente nEle e, não, nos méritos dos santos, de Maria, ou nos seus próprios méritos para a salvação.

2. PROTESTANTISMO em seus muitos ramos, começando na época da Reforma, no século 16 até hoje.
 Entre estes ramos encontramos também nomes destacados como Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zwinglio, João Knox, Jônatas Edwards, João e Carlos Wesley, Jorge Whitefield, Guilherme Carey, Carlos Finney, Carlos Haddon Spurgeon, Martinho Lloyd-Jones, Billy Graham e muitos outros.
 João Wesley Carlos Wesley
Jorge Whitefield Guilherme Carey
C. H. Spurgeon Martyn Lloyd Jones
Quantos irmãos bons e fiéis, mas, infelizmente, ligados a sistemas sem apoio nenhum da Palavra de Deus!

3. CRISTÃO NÃO DENOMINACIONAIS.
 Referimo-nos a Igrejas, irmãos e irmãs que desde os dias dos apóstolos até hoje tem procurado permanecer fora dos sistemas dos homens e servir apenas ao Senhor Jesus, reunindo-se em Nome dEle e procurando obedecer às instruções do Novo Testamento concernentes à Igreja local.
 Estes têm sido tachados de muitos nomes pelos seus contemporâneos; Paulícios,Bogomilos, Valdenses, Albigenses, Lollardos, Hussitas, Anabatistas, Irmãos de Plymouth, Darbistas e muitos outros.
 Estas igrejas existiram desde o início, pois sempre houve igrejas que não chegaram a unir-se ao sistema católico e através dos séculos, num lugar ou outro, existiram e existem igrejas semelhantes orientadas somente pela palavra de Deus.
 O livro do Apocalipse indica que existiria na história das igrejas períodos de declínio espiritual e épocas quando o Senhor até retiraria o candeeiro de um lugar ou outro, mas de uma coisa podemos ter certeza: até que Cristo volte para buscar os Seus sempre haverá irmãos e irmãs fiéis à Palavra dEle!


IV. UM RESUMO DOS FATORES EM COMUM ENTRE AS IGREJAS QUE PERMANECERAM FIÉIS SO PADRÃO NEO-TESTAMENTÁRIO

1. Davam grande ênfase às Escrituras.
 2. Eram profundamente espirituais.
 3. Eram piedosas no viver.
 4. Permaneciam escondidas do mundo.
 5. Enfrentavam ferrenha oposição. Muitas vezes reuniam-se em casas particulares por causa da perseguição movida contra elas.
 6. Eram caracterizadas por grande simplicidade. Geralmente cada igreja era autônoma, embora houvesse plena comunhão mútua, pois reuniam-se freqüentemente para estudo bíblico e outras atividades.
 7. Não aceitavam nenhum nome a não ser os nomes bíblicos: "irmão", "cristão", etc...
 8. A maioria delas não estava sujeito ao clero.
 9. Provaram a bênção de Deus muitas vezes só por uma geração ou duas, embora alguns (p.ex. Paulícios, Valdenses) tivessem-na gozado por centenas de anos.
 10. Eram ignorados pelos historiadores da Igreja.
 11. Muitas vezes foram perseguidas e seus membros foram martirizados (com exceção dos apelidados de "Os Irmãos").
 12. Influenciavam umas às outras.
 Especialmente no período anterior a 1500 é difícil encontrar documentos confiáveis devido tanto à perseguição quanto à mentira das autoridades eclesiásticas" (Gene Edwards - adaptado)



Enviado por E-Mail pelo Ir. Sérgio Ventura

Um comentário:

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  1. um síntese muito bem apresentada do desenvolvimento da Igreja, em particular esse excelente livri- A Igreja Peregrina do irmão Edmund.

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