FRASE DA SEMANA: [Quote of the Week:]
"Liturgias, antigas ou modernas, escritas ou não, são uma ferramenta humana para manter as engrenagens religiosas rodando, reproduzindo o costumeiro, ao invés de exercitar a fé na presença imediata e operação do Espírito."
Arthur Willis

Igrejas Institucionalizadas - IGREJAS EMERGENTES



Nos últimos anos, o movimento chamado Igreja Emergente tem surpreendido o mundo cristão, especialmente nos Estados Unidos. Igreja Emergente é um movimento que se intitula cristão, cujos participantes procuram integrar as atuais pessoas sem igreja, que possuem uma mentalidade pós-moderna. O website ehow.com define este movimento da seguinte maneira:

“A Igreja Emergente é um movimento cristão que procura renovar o Evangelho no mundo, enfatizando aspectos da fé que têm sido perdidos ou corrompidos na igreja moderna. Eles focam na narrativa, ao invés da Teologia proposicional; na vida comunitária ao invés da vida individualista, e nas práticas coletivas, ao invés do ensino doutrinário.”

Suas características principais são:

Abordagens altamente criativas para a adoração e reflexão espiritual. Pode envolver o uso de música contemporânea (secular) e filmes nos cultos, além das tradições litúrgicas antigas;

Teologia flexível. Diferenças de crenças e moralidade são aceitas sem discussão – mesmo aquelas crenças consideradas essenciais;

Concepção mais “holística” sobre o papel da igreja na sociedade. Isto passa por uma grande ênfase na estrutura comunitária do grupo, e na ação social;

Reinterpretação da Bíblia em contraste com o contexto no qual ela foi escrita, procurando perceber e definir onde seus princípios são aplicáveis à sociedade pós-moderna e onde não são.

A Igreja Emergente é uma “bolsa de mulher” – dentro tem muita coisa misturada. Além das características relacionadas acima, existe no movimento muita conversa sobre comunidade, sobre ser missionário, sobre liberar os leigos, sobre a natureza tri-úna de Deus, sobre rejeitar a forma tradicional de ser e fazer igreja, e sobre como abraçar um novo paradigma para o corpo de Cristo. Estas últimas podem ser caracterizadas como o lado positivo deste movimento.

Minha crítica negativa à Igreja Emergente consiste no fato de que, quando se trata da autêntica expressão da igreja do Senhor - a vida dos cristãos no primeiro século - os emergentes têm apenas perifericamente a praticado. O velho odre, inventado há mais ou menos 500 anos atrás, quando da Reforma Protestante, tem sido deixado inalterado, intocado.

O uso de edifícios-templo “sagrados”, os cultos baseados em sermões, o sistema clerical e o ministério pastoral continuam sendo praticados nas igrejas emergentes sem qualquer alteração, mesmo entre aqueles que defendem a desconstrução da face da igreja moderna. Muitos na igreja emergente ainda acreditam que cada igreja precisa de um pastor, assim como cada empresa precisa de um chefe.

Os cultos das igrejas emergentes não diferem em praticamente nada das demais igrejas institucionalizadas. Começam com música da equipe de louvor; anúncios são feitos; é cantada uma música especial; o pastor prega um sermão para uma audiência passiva; são levantadas ofertas para a manutenção dos prédios e do pastor e seu staff. A única coisa diferente neles são as gravuras modernas nas paredes, o aparato tecnológico audio-visual high tech e a linguagem pós-moderna que empregam. Fora isto, o restante é exatamente igual ao que você encontrará numa típica igreja protestante ou evangélica.

Parece que muitos cristãos ainda desejam manter, com unhas e dentes, a “vaca sagrada” do ofício pastoral e do ritual protestante dominical. Independente de quão bíblicas essas tradições religiosas sejam, elas parecem ser intocáveis, mesmo para os pensadores mais radicais.

A “igreja emergente”, enfim, é apenas mais uma igreja institucionalizada, protestante, cujas práticas são enraizadas na Reforma do Século XVI, e não no Novo Testamento.

Neste ponto, levanto a seguinte reflexão: qual a base bíblica neo-testamentária para este ritual protestante que já perdura 500 anos? O que justifica os cristãos de hoje se agarrarem tão fortemente a essas tradições não apostólicas pós Idade Média, ao invés das tradições do primeiro século?

A igreja – o conjunto dos cristãos na terra – precisa aceitar o desafio de buscar funcionar sob a direção direta de Jesus Cristo (o único Cabeça), sem mediação nem controle humano. Se não sabemos como fazer isto, precisamos ser humildes e trazer alguém que nos equipe para viver isto... e ver o que acontece.

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