FRASE DA SEMANA: [Quote of the Week:]
"Liturgias, antigas ou modernas, escritas ou não, são uma ferramenta humana para manter as engrenagens religiosas rodando, reproduzindo o costumeiro, ao invés de exercitar a fé na presença imediata e operação do Espírito."
Arthur Willis

O Paradigma do “Templo”

Por João A. de Souza Filho
Certos textos bíblicos, quando mal explanados, podem dar uma idéia errada do templo nos dias do Novo Testamento, como se fosse um local usado por todo o povo para adorar a Deus. Exemplo disso é o texto de Atos 2.46:
Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração…
templo
Muitas pessoas, por terem um conceito errado de templo, acreditam que os primeiros cristãos reuniam-se no templo de Jerusalém e esquecem que, tanto no templo do Antigo quanto do Novo Testamento, só entravam os sacerdotes para realizar os ofícios sagrados. Nem mesmo todo levita ou sacerdote podia entrar ali a menos que estivesse escalado, isto é, que seu turno o obrigasse a entrar no santuário para oferecer os sacrifícios.
O povo ficava sempre do lado de fora, aguardando o sacerdote, que ministrava ao Senhor em favor deles (como se vê em Lucas 1.10). Além disso, o templo era uma espécie de praça central da cidade, porque, ao redor dele, funcionava não apenas a vida religiosa do povo, mas também o comércio, a venda de verduras, peixes e animais para o sacrifício etc. E, como havia pátios especiais para orações, os irmãos da emergente igreja para lá se dirigiam a fim de orar, como vemos no episódio de Atos 3, em que Pedro e João foram ao templo para a oração das 15 horas. A base da vida religiosa, no entanto, continuava fora do templo, nas vilas e cidades de toda a nação.
Deus parece deixar bem claro que o verdadeiro templo é formado de pessoas e não de tijolos. Nos dias de Jeremias, o povo zombava do profeta, dizendo: “Templo do Senhor! Templo do Senhor!”, insinuando que Deus não permitiria que o templo, local de sua habitação, fosse destruído. Jeremias os advertia: “Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7.4). O povo tinha a idéia de que, em tempos de guerra, poderia refugiar-se no templo e dizer: “Estamos salvos” (7.10). Mas Deus lhes tirou toda esperança: “Ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, no princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo de Israel” (v. 12).
Jesus também profetizou (Mt 24.2; Lc 21.20) a destruição do templo de Jerusalém, a qual ocorreu no ano 70 da Era Cristã. Depois que o templo foi totalmente destruído e queimado pela ocupação romana, o povo judeu continuou com sua vida religiosa, porque, na realidade, as famílias tinham uma vida religiosa centrada no lar e não num lugar. Dessa maneira também cresceu a igreja, reunindo-se em casas e locais diversos, às vezes vários grupos de irmãos numa mesma cidade em locais separados, porque a essência da vida cristã não se resumia a um local único, mas aos lares que se encontravam em todo lugar.
Deus não precisa de templos materiais, de locais fixos para ser adorado (lembra-se do que ele disse à mulher samaritana sobre a verdadeira adoração?). O templo de Salomão, na realidade, é uma figura do verdadeiro templo – o conjunto de pessoas que formam o santuário de Deus – e aponta escatologicamente para a igreja, a casa de oração para todos os povos!
Por mais de 300 anos, desde seu início até a época de Constantino, a igreja reunia-se em casas sem precisar de um local chamado de templo ou santuário. As casas eram adaptadas para a reunião da família de Deus.
Fonte: Revista Impacto, Edição 60.

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